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A madeira estava infestada por fungos e insetos, o que dificultava ainda mais o trabalho de restauração na santa do Século XVIII, que teve a pintura e algumas de suas extremidades chamuscadas em um incêndio. Concentrado em seu minucioso trabalho, o restaurador constatava que a vida não diferenciava aquela valiosa imagem, de um tronco caído. Não eram reconhecidos o talento do escultor, a relevância histórica, os significados religiosos e o alto preço da peça, aos olhos da natureza era madeira, e por mais que ele acreditasse em todos os valores humanos impregnados naqueles veios, não podia contestar tão absoluta verdade. Intrigou-se com o fato de que em essência, despidas de toda a importância que lhes é atribuida, peças de madeira nada mais são do que madeira, peças de ouro nada mais são do que um metal e nós nada mais somos do que o barro do qual dizem termos sido moldados. Pois partindo do príncipio de que a eternidade não só não tem fim, como também nunca teve começo, já éramos o barro que somos, antes mesmo da tal modelagem.

~ por Sérgio G. Alves em 17/04/2011.

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